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:.. MARY WARD 1585 - 1645..::

UMA MULHER À FRENTE DO SEU TEMPO

 

Jesus foi a primeira palavra da pequena Mary.
Depois desta, durante muitos meses, não pronunciou nenhuma outra.

 

 

Aos dez anos, seus pais insistiram para que Mary se casasse com um jovem chamado Redshaw, que era renomado pelas suas riquezas e seu nobre nascimento.
Mary rezava fervorosamente a Deus, implorando para que Ele impedisse o casamento, se não fosse pela honra, a glória de Deus e o bem de sua alma. E assim se fez.

Mary, aos dez anos, levou um tombo tão perigoso, que a fez perder a fala. Então pensou consigo mesma: Oh! Se pudesse pronunciar somente o santíssimo Nome de Jesus ,morreria contente. Ao falar este Nome, recuperou-se e seu coração se encheu de glória e amor de Deus, e em toda sua vida nunca duvidou dessa graça.

No ano de 1595, quando Mary tinha onze anos, aconteceu no castelo de seu pai, em Old Mulwith, um grande incêndio; era a festa da anunciação da Virgem.
Mary permaneceu, corajosamente, em seu quarto, rezando o rosário com suas irmãzinhas, até que o seu pai veio socorrê-las.

Antes de fazer doze anos, Mary foi, novamente, estimulada por seus pais, a aceitar a proposta de se casar com um cavalheiro de nome Shafto. Ela recusou a proposta, considerando que apenas Deus era merecedor de seu amor.

Quando Mary tinha treze anos, o espírito do mal se apresentou a ela, sob a aparência de Francis Carle, o servente de seu pai.
Francis montava um cavalo negro e leu uma carta, supostamente escrita pelo seu pai. Esta continha ordens restritas para que ela não fizesse a primeira comunhão, até que recebesse novas instruções.

Em seus treze anos, depois de ter superado muitos obstáculos, Mary se preparou com grande fervor e devoção para a sua primeira comunhão, da qual recebeu muita luz e conhecimento de Deus.





Mary tinha treze anos e, pelo perigo da guerra, foi viver na casa de sua tia . Pediram-lhe, várias vezes, que se casasse com um nobre cavalheiro chamado Eldrington, que se distinguia pela sua nobreza e outras eminentes qualidades. Mas, sendo seu coração ligado ao amor de Deus, Mary não admitia amor terreno. Ficou tão aflita por todo este fato, que adoeceu seriamente e, por isso, seu pai a levou a casa dele.

Mary, aos quinze anos, enquanto costurava com sua prima Bárbara Babthorpe, escutou o que narrava uma senhora temente a Deus – de nome Margarety Garrett sobre uma monja em clausura. Esta havia dado um escândalo e fora castigada severamente por isso.
Através deste relato, Mary recebeu de Deus tanto conhecimento sobre a excelência da vida religiosa, que decidiu abraçar este estado de perfeição.


Aos 16 anos, Mary lendo a vida dos mártires, um grande desejo prendeu-se a ela; pensou que tudo que não fosse um martírio poderia acalmar seus anseios, até que nosso Salvador deu-lhe a entender, interiormente, com toda clareza, que Ele não pedia o sofrimento do corpo e sim de seu espírito.




Mary temeu que seus votos pelo sofrimento estavam de alguma forma diminuindo, receou que fosse por falta de oração, por isso, dedicou-se a rezar.
Em uma visão interior, Deus lhe mostrou o martírio que Ele lhe pedia, consistia na perfeita observação dos três conselhos evangélicos na vida religiosa.


Aos 20 anos, todos seus amigos, tanto leigos quanto religiosos tentaram dissuadi-la de ser religiosa. Por este motivo, Mary dedicou-se dia e noite à oração e penitência, pedindo insistentemente a Deus que fizesse dela sua santa vontade.
Então, finalmente, entendeu aquelas palavras de Cristo: “Buscai primeiro o reino de Deus”. Estava segura de que Deus olhava por ela e recebeu tanta luz que lhe deu coragem não só naquele momento, mas em muitas outras dificuldades.

Em 1606, para testar sua fidelidade, Mary foi incitada, não apenas pelos seus pais, mas também pelos seus confessores a casar-se com um jovem chamado Neville, o único herdeiro da nobre família Westmoreland.
Mary, heroicamente, obedeceu ao chamado de Deus e não cedeu à persuasão humana.



Em 1606, quando o confessor de Mary celebrava a missa em Londres, Deus permitiu que se derramasse o cálice. Este imprevisto provocou uma mudança tão grande em sua mente, que depois da Missa, quando Mary deu a toalha para o padre secar as mãos, disse chorando:
-“Longe de mim impedir sua decisão ; empenhar-me-ei, ajudar-te-ei com toda a força”.E assim o fez.


Ao completar 21 anos, em 1606, depois da festa de Pentecostes, embarcou para Saint-Omer, com permissão do padre e consentimento de seus pais.
Uma dama de nome Bentley a acompanhou. Em Saint-Omer queria abraçar a vida religiosa que desejara há muito tempo atrás.


Em 1609, com 24 anos, Mary fez votos de voltar à Inglaterra. Realizou este desejo, com a aprovação do padre, a quem tinha prometido obediência em todos os sentimentos espirituais.
Na Inglaterra, pensava em dedicar-se conforme a sua determinação, à salvação do próximo; algo que realizou com grande êxito.

Em Coldham Hall, Inglaterra, Mary converteu uma dama que havia caído por completo em heresia. Homens letrados e sábios já se haviam empenhado em sua conversão, porém em vão. Mary colocou suas mãos sobre ela e dialogou amistosamente. Depois disso a dama exclamou:
- Quero ser católica, confessar meus pecados e fazer tudo o que falta para minha inteira conversão. E o fez, com grande fervor, antes de morrer.


Animada, com grande zelo e desejo ardente de atrair sua tia, senhorita Gray, à religião católica, Mary trocou suas vestes de nobre aristocrata por um vestido de sua servente.
A finalidade era, em Londres, falar com sua tia, sem ser reconhecida e com maior liberdade, em uma casa fechada para este fim.



Enquanto Mary estava em Londres, suas palavras eloqüentes induziram sua tia, senhora Gray, a conversar com o santo da Companhia de Jesus, com a intenção de aceitar a verdadeira crença religiosa.
Mary conseguiu devolver a fé àquela herege, que recebeu com grande devoção a Unção dos Enfermos, em seu leito de morte.


Enquanto Mary estava em Londres, um nobre cavalheiro enviou-lhe seus empregados com comidas finas. Mary sentiu medo, pois poderia ser a tentação do espírito do mal. Então, trancou-se em seu quarto e passou a noite inteira rezando em penitência.



Em 1609, também em Londres, quando Mary acabara de fazer sua meditação, pensou não tê-la feita com fervor.
Para remediar a sua falta, propôs-se a ajudar uma pessoa, que por falta de meios, não pôde entrar em uma religião e Mary ajudou –a dando-lhe dinheiro. Enquanto se vestia para sair, sobreveio-lhe um êxtase e ficou privada do uso de todos os seus sentidos, sem movimentos.
Entendeu, claramente, que não era a vontade de Deus para que ingressasse na ordem de Santa Teresa, sendo que estava chamada a um estado mais excelente, que daria a Deus uma glória incomparavelmente maior. Em seu ouvido ressoavam as palavras: Glória! Glória! Glória!


No ano de 1609, durante sua estada em Londres, com seu modo de vida e suas palavras persuasivas, convenceu muitas jovens da nobreza, para o serviço de Deus.
Inspiradas em seu exemplo e para se libertarem dos enganos do mundo, foram com Mary a Saint-Omer, para servir a Deus, na vida religiosa.









Uma vez em Sant-Omer, Mary se afligiu pensando que seu afeto pelo padre, que ouvia suas confissões, era muito grande.
Abatida, resolveu desistir de qualquer coisa que pudesse interferir em seu amor divino. Então, Cristo, apareceu visivelmente para ela e disse-lhe:
-Sua croiança tola, não é você, mas sim Eu, que o escolho para ti,” - ela sentiu-se inteiramente consolada e livre de suas preocupações.

Em 1611, em Sain-Omer quando Mary, recuperada de uma doença gravíssima, deitada em sua cama, sozinha, em uma admirável tranqüilidade de espírito, ouviu uma voz interior dizendo por qual caminho deveria organizar seu Instituto.
Isto lhe deu tanta luz, tanto consolo e tanta força que não duvidava que este conhecimento procedesse da Verdade divina, que não se poderia duvidar.


Na festa de todos os Santos, em 1615, em Saint-Omer, Deus mostrou a Mary uma Alma Justa em uma beleza inexplicável na qual todas as virtudes pareciam formar uma cadeia com Deus. Por esta visão, Mary não só ficou desapegada de toda amarra terrena, como também obteve a verdadeira liberdade de espírito, indiferença, sabedoria celestial e habilidade para tudo que exigia a perfeição do Instituto.


Na festa do Apóstolo São Tiago, julho de 1618, Mary atravessava o mar. Invocando o auxílio deste santo, seu especial patrono, com a admiração de todos, o perigoso motim que havia se instalado no navio, acalmou-se.
Mary confessou que jamais lhe havia sido negada uma graça pedida a Deus, por intercessão deste Príncipe do Céu.



Em Londres, enquanto Mary meditava sobre as palavras: “Colocarás o nome de Jesus”, Deus lhe mostrou uma Alma Justa e cheia de grande brilho. Fez-lhe entender claramente que, todas aquelas que, segundo a sua vocação, viviam neste Instituto, chegariam a tão indescritível beleza de alma, porque este estado as levariam à justiça original e as fariam semelhantes a Cristo, Nosso Senhor, modelo prefeito de todas as virtudes.


Em 1618, enquanto Mary confessava seus pecados com muitas lágrimas, Deus lhe revelou claramente que deveria se realizar por eles nesta vida.. Sentindo que Deus estava muito próximo, Mary suplicou para que Ele lhe mostrasse de que forma deveria fazê-lo. Assim, Mary percebeu interiormente que deveria suportar com alegria todas as provações que vinham no cumprimento de sua santíssima Vontade.

Certa vez, Mary rezava insistentemente por um sacerdote, que se havia convertido da má vida, temendo que aquele poderia encontrar-se em ocasião próxima do pecado.
Deus permitiu que ela visse seu anjo da guarda, na cabeceira de sua cama, estendendo amorosamente os braços sobre ele, como querendo protegê-lo de todo perigo. E lhe disse:
-“Não vês o quanto fielmente cuido dele?!”


Em 1619, em Saint-Omer, quando Mary agradecia a Deus, fervorosamente, a graça de sua vocação, Ele lhe mostrou claramente que, ajudar a salvar as pessoas, é um dom muito mais excelente do que a vida de clausura, e até mesmo do martírio.




Em 1619, quando Mary meditava sobre a vocação dos apóstolos, entendeu que eles não tinham nenhum apego às coisas deste mundo, e estavam à inteira disposição de seu Divino Mestre.
Este conhecimento fez surgir nela um novo desejo de abnegar-se a si mesma. De repente, sentiu–se inteiramente livre frente `as amarras terrenas.

Em 1619, Mary estava perturbada, pois vivia sem sofrimentos e adversidades. Acreditava que, com eles, sua alma se faria mais pura e as suas obras mais agradáveis a Deus. Enquanto expôs seu pensamento, diante do Santíssimo, Deus lhe deu a entender, claramente, que este descontentamento não agradava a Ele, porque isto vinha de um desejo pessoal.
Mary deu-se inteiramente a Ele, e estava pronta para aceitar tudo de Suas mãos, sem nada escolher.

Em 1619, em Liège, durante sua meditação, Deus lhe mostrou claramente um grande número de condenados e o número reduzido dos que se salvam. Deu-lhe a entender, que a causa da condenação, era a falta da correspondência à graça de Deus, com as quais poderiam alcançar a felicidade, pois de outra forma, seriam condenados pela justiça eterna.

No dia 10 de outubro de 1619, Mary fazia seu retiro espiritual; e durante a meditação, com profunda humildade e grande confiança, perguntou a Deus quem era Ele. Então , viu-O entrar claramente em seu coração e obteve aquele conhecimento que havia pedido.



No ano de 1619, em Liège, na igreja de San Martin diante do crucifixo, ao lado do santuário, Deus revelou a Mary, que o Instituto deveria estar sob a direção da Companhia de Jesus, para preservar e não se desviar de sua espiritualidade.

Em 1624, Mary obteve de Sua Eminência, o cardeal de Trescio, um rápido restabelecimento para a sua doença. A graça lhe foi concedida através de uma peregrinação ao santuário da Milagrosa Virgem de Monte Giovino, onde permaneceu em oração durante cinco horas.

Em uma viagem, em 1625, enquanto Mary rezava, Deus a fez entender a excelência do estado religioso, mostrando claramente a ela , que esta força não consistia em nenhum poder temporário, mas somente Ele, com seu infinito poder, dissiparia e desfaria todo mal que estivesse na vida de uma criatura.

Na festa de São Pedro ad Víncola, 1625 em Roma, enquanto Mary suplicava a Deus pelo Instituto, compreendeu claramente que a prosperidade, o progresso e segurança deste, não consistiam na riqueza, na fama e favores de príncipes, mas todos aqueles que tinham livre acesso a Deus, que nos dá toda força, luz e proteção.

Em 1625, na igreja de São Jerônimo da Caridade, em Roma, enquanto estava em profunda oração, diante do Senhor, no Santíssimo Sacramento, Mary pediu humildemente a Deus, que lhe fizesse conhecer a maneira mais provável de suportar os sofrimentos. Então, percebeu dentro de si , com toda clareza, que a Ele proporcionaria maior agrado se suportasse sua dor com satisfação.

Em 11 de abril de 1625, ajoelhada, na igreja de Santa Maria de Huerto em Trastevere – Roma - Mary orava e sentiu claramente, que ela não era nada e que Deus era tudo. Então, foi de tal maneira envolvida pelo amor divino e, totalmente privada do uso de seus sentidos, descansou em Deus sozinha, sob o resplendor dos raios que emanavam do Santíssimo e refletiam sobre seu rosto , ficou por algum tempo sem poder enxergar.
Em 26 de junho de 1625, na igreja de Santo Eligio, em Roma, estando diante do Santíssimo, Mary recebeu de Nosso Senhor uma grande luz e conhecimento sobre o perdão dos inimigos. Logo após, sentiu uma afeição por todos que lhe fizeram algum mal e passou a chamá-los de amigos e amantes de sua recompensa divina.


No ano de 1626, Mary rezava para o Instituto, na Igreja de São Marcos em Roma, Deus lhe lembrou interiormente das palavras de Cristo: “Podeis beber do cálice que Eu bebo?”, e manifestou as adversidades, perseguições e trabalhos que haveria de suportar no cumprimento de sua santíssima vontade. Mary ofereceu-se a aceitá-los com alegria.
Na véspera de Natal de 1926, Mary chegou a Feldkirch em Tyrol. Não se importando com o intenso frio e com o cansaço da viagem, permaneceu na paróquia da igreja, em oração, das oito da noite às três horas da madrugada.



No dia de Natal ,de 1626, enquanto Mary participava da Missa Maior, na Igreja dos Padres Capuchinos de Feldkirch, suplicava fervorosamente ao Filho de Deus ,pela conversão do rei da Inglaterra. Deus lhe mostrou imensamente seu terno amor, com o qual Ele O abraçaria e desejaria fazê-lo herdeiro de sua glória; mas o rei não respondia ao seu amor.
Em 1626, quando Mary estava a caminho de Munich, pela primeira vez, não muito longe de Isarberg, disse a seus acompanhantes que Deus lhe revelara em oração, que Sua Alteza Elector, iria lhes fornecer uma casa apropriada e um subsídio anual. Isto se realizou, efetivamente, pouco tempo depois de sua chegada em Munich.

Em 1626, quando uma das suas companheiras pensava em abandonar a vocação, Mary, cheia de tristeza, buscou refúgio na oração, para confiar o Instituto a Deus e a sua Abençoada Mãe. Então, revelou-se claramente quando, e por quem o Instituto deveria ser aprovado, e que isso ocorreria quando Mary menos esperasse.
Encontrando-se Mary, uma vez, aflita por problemas financeiros, pediu ao Senhor uma determinada quantia. Ele perguntou-lhe interiormente, mas com toda clareza:“Te vale mais esta quantia do que minha Providência?” Nisto, Mary entendeu que dali em diante, haveria de não ter nada por meios profanos, mas sim considerar a Divina Providência como sua única riqueza.



Ao visitar uma de suas casas, o Senhor confessou a Mary que uma noviça tinha fortes tentações contra sua vocação, pois tudo lhe parecia difícil e duro. Mary consolou-a dizendo amavelmente:
-Minha filha, a virtude só é difícil, para aqueles que a têm por tal. Nosso caminho ao Céu consiste em aceitar tudo da mão de Deus e fazer tudo por Ele”
Com estas palavras, a noviça ficou completamente tranqüila e livre de toda tentação.
Quando Mary estava em Saint-Omer, Deus mostrou-lhe um homem distinto, porém desconhecido dela. Vestido como um bispo, Deus revelou-lhe que, aquela pessoa, embora estranha, era um amigo de seu Instituto

Em Saint-Omer, Deus concedeu a Mary uma visão de grande glória, dizendo a ela:
-“Siga em frente, você deixará esta vida brevemente e sua recompensa será grande”.

“O sábio de coração será chamado prudente, e a doçura dos lábios aumentará o ensino”. (Provérbios 16:21)
Agradeço a Deus que me dirigiu e orientou na execução deste trabalho e às Irmãs deste Instituto, que me deram a oportunidade de homenagear Mary Ward.
Que Deus continue abençoando e dirigindo os passos que nos traçou Mary Ward, a fim de que a fraternidade e amor, aos mais necessitados, nunca deixem de ser praticados pela humanidade.
Com carinho.
Professora Angela M. Moreno
agosto/2007

 

 

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