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MARY WARD
VIDA E OBRA




Família de Mary Ward

Pai: Marmaduk Ward
Mãe: Ursula Wrigth

Tiveram 06 filhos:

1) Davi
2) Mary ( Jane ) – fundadora
3) Bárbara – religiosa do mesmo IBVM
4) Francês – religiosa ( carmelita )
5) Elisabeth – religiosa IBVM
6) George – sacerdote da SJ

Pensamentos de Mary Ward

1.) Love and speak the truth at all times.
2.) It is an honour to work for God.
3.) Be merry and doubt not our master.
4.) Satisfy yourself with nothing that is less than God.
5.) Cherish God´s vocation in you.
6.) Mary Ward pilgrim and prophet.
7.) Seja qual for a maneira como vão as coisas, conservemos alta a esperança e vivamos da graça de Deus.
8.) Nós temos uma só tarefa: executar a vontade de Deus em todas as nossas ações.
9.) Alegra-te de que se faça em ti a vontade de Deus.
10.) Amar os pobres, perseverar neste amor, viver, morrer e ressuscitar com eles foi toda inspiração de Mary Ward.
11.) Fiquei feliz quando entendi que Cristo, no cuidado com todas as coisas criadas, encontrou o melhor caminho. Amei este caminho e desejei percorre-lo porque Ele o percorreu primeiro.
12.) Eu sempre amei a luz e fiz todas as coisas à luz do dia e da minha consciência.
13.) Só quem ama é forte e é capaz de realizar todas as boas obras de que o mundo necessita.
14.) Espero que também para o futuro, poder-se-á constatar que as mulheres farão algo grande.
15.) O amor de Deus é como fogo que não se deixa encerrar, pois é impossível amar a Deus e não divulgar sua glória.
16.) Quem quiser seguir a Deus segundo seu estado deve necessariamente amar a cruz e estar pronto a sofrer muito por amor a Cristo.
17.) Uma vez amigos, amigos para sempre.
18.) Quanto mais o alicerce de uma obra é fundamentada em Deus, tanto melhor é sua segurança.
19.) Mostra-te tal qual és e sê tal qual te mostras.
20.) No lugar que Deus me conceder lá em cima, nunca, jamais deixarei de intervir por vós.
21.) Deve-se seguir a Deus e não precede-lo.
22.) Amai a verdade, procurai a vivência não por si mesma, mas por amor do fim ao qual ela conduz, que é Deus.
23.) O que interiormente te bate e te perturba não vem de Deus, pois o espírito de Deus traz sempre paz e serena tranqüilidade.
24.) Junte para si um tesouro de virtudes e bons hábitos na sua juventude, para que sejam suporte e consolação na velhice.
25.) Tome tudo, até a mínima coisa, como vinda diretamente de Deus.
26.) Meu coração está pronto, ó Deus.
27.) Estimemos muito mais o próximo que a nós mesmos. Não nos desanimemos.
28.) Tudo isso parecia pequeno em comparação ao sofrimento interior causado pela incerteza de minha vocação e daquilo que Deus queria para mim (...) A dor era grande, mas suportável porque Aquele que me colocava este peso, também me ajudava a carregá-lo.
29.) Precisamos dar nossa vida pela salvação do próximo, nossos bens, não somente o que nos sobra, senão daquilo que necessitamos nós mesmos.
30.) Não te consideres vencedor, senão quando te tenhas vencido a ti mesmo.
31.) Mostrar-te sempre contente e alegre porque Deus ama a quem dá com alegria.
32.) Ama e fala sempre a verdade.
33.) Os mais sábios são os que conhecem melhor a Deus, mais os mais fortes e corajosos são aqueles que mais amam.
34.) Cuide de sua saúde para você poder trabalhar e sofrer para aquele, cuja vontade deve-se cumprir.
35.) Sempre e em todos lugares devemos ter em vista o serviço de Deus e o bem-estar comum.
36.) Quero seguir o conselho que o venerável Pai Inácio indicou e também viveu: “sempre andar na presença de Deus”.
37.) Sê tudo para todos a fim de ganhares todos para Deus.
38.) Minha segurança e minha salvação consistem em estar somente na vontade de Deus.
39.) De três coisas eu gosto muito: quando jovens são piedosos, doentes alegres e, idosos pacientes.
40.) Envergonhe-se de dizer que no serviço de Deus alguma coisa custa a fazer, pois àquele que ama, tudo é fácil.
41.) O espírito de Deus não é grosseiro, mas ensina toda cortesia.
42.) Esforça-te mais por merecer o amor e o louvor das pessoas do que por recebe-los.
43.) Faze o bem e faze-o bem.
44.) Não aceite nenhum compromisso se não tiver a esperança de termina-lo honradamente.
45.) Nunca tenhas em conta como vencedor, exceto quando te vencestes a ti mesmo.
46.) Falar o que não se tem no coração é impostura, falar tudo o que se tem no coração é loucura.
47.) Tudo passa, o que não é nele e para Ele.
48.) Deus tem o seu tempo para tudo.
49.) Ó meu Deus e meu Senhor, como são bem ordenadas todas as tuas obras!
50.) Muitas vezes quero conversar humildemente com o Senhor e dizer-lhe como necessito de sua misericórdia e de sua graça!
51.) Vale a pena consumir-se por obras que têm valor eterno.
52.) Exercita-te diariamente no amor de Deus e alegra-te que sua vontade cumpra em ti, ainda quando perceberes o contrário à tua vontade.
53.) Quem neste Instituto quiser trabalhar muito para a glória de Deus e salvação do próximo, tem que preferir o bem comum ao próprio.
54.) O caminho da virtude não admite parada, quem não adianta retrocede.
55.) Serve a Deus com grande amor r liberdade de espírito.
56.) A liberdade consiste em referir tudo a Deus.
57.) Fazer bem o que temos que fazer.
58.) Não deixes passar um dia sem que te venças heroicamente.
59.) Não sejas tímido quando se trata da honra de Deus, antes dize com o profeta: “Falarei à face dos reis e não enrubescerei”.
60.) Quanta honestidade tu tens, tantas outras virtudes também possuirás.
61.) Reze muitas vezes para seus amigos defuntos, pois a verdadeira amizade se reconhece no sofrimento.
62.) Deus concede a cada um aquilo que é necessário para cumprir a missão que lhe foi confiada.
63.) Quem não acha em Deus alegria, nem a achará nas criaturas.
64.) Quem faz o propósito de não ser relaxado, deve faze-lo também de não ser medroso.
65.) Não existe nenhum canto da casa onde não se possa fazer o bem, basta querer.
66.) O que é certo devemos fazer aos outros e a nós mesmos também.
67.) Deus nos faça verdadeiramente agradecidos.!
68.) Qualquer coisa que esteja em mim ou seja feita por mim, pertence inteiramente a Ti.
69.) Sempre amei a integridade e a autencidade e ser-me-ia impossível agir de maneira diferente.
70.) Só as pessoas verdadeiramente amantes é que são aptas para toda obra boa.
71.) Não enterres os talentos que Deus te emprestou, mas emprega-os no seu serviço.
72.) Tuas conversas devem ser sempre tais que quem as ouve possa tirar algum proveito.
73.) Na medida em que fores leal, possuirás também as outras virtudes.
74.) Aproveita toda ocasião que Deus te dá para teu progresso espiritual.
75.) Persevera no serviço de Deus até o fim.
76.) Em tudo quero deixar-me guiar pela vontade de Deus.


VIDA E MISSÃO DE MARY WARD


MARY WARD, a fundadora do INSTITUTO BEATÍSSIMA VIRGEM MARIA (atual Congregação de Jesus), nasceu a 23 de janeiro de 1585, em York, na Inglaterra, e faleceu a 30 de janeiro de 1645, em Hewarth.
Filha de Marmaduke Ward e Ursula Wright, nobres descendentes ingleses que desde a origem distinguiram-se pela fidelidade à religião católica. Mary veio ao mundo numa época dificílima para a Ingleterra em virtude das lutas sangrentas desencadeadas pela perseguição religiosa no reinado de Isabel I. Apesar disso, foi a época que marcou o país pelo grande desenvolvimento econômico e político, pelo poderio e expansão marítima, pelas conquistas, afinal.
Mary recebeu uma educação orientada para a abertura e isto contribuiu no futuro para a formação de um novo estilo de vida religiosa na Igreja. Na Inglaterra, diferentemente dos outros países europeus, a mulher já era dona de uma maior liberdade intelectual e cultural, com responsabilidade de reflexão e de tomar decisões , enquanto nos outros países estava ainda tolhida sob os influxos da Idade Média, no isolamento social e intelectual.
Mary cultivou e aumentou, à medida que cresceu, seus conhecimentos através do estudo contínuo. Aos 20 anos, dominava fluentemente o latim, o francês e o inglês, tinha conhecimentos de música, de arte, de bordado, de costura, de um pouco de enfermagem e de tudo aquilo que sabia ser útil e necessário para a época. Acima de tudo, rezava bastante e tinha uma fé muito sólida.
Desde pequena, apresentou uma saúde muito frágil e por várias vezes teve que se ausentar da família e refugiar-se na casa dos parentes e amigos, pois o clima frio do norte de York não lhe era propício. Dos cinco aos dez anos passou muito tempo com a avó materna, em Plouglard, no sul. Mais tarde, entre os dez e quinze anos, esteve na companhia de parentes, os Babthorpe. Nesta casa, ela pôde extravasar livremente todo o anseio que sua alma movia para Deus. Aqui, ela se preparou e recebeu a primeira Eucaristia. Aqui, também, ela sentiu o primeiro impulso, o primeiro desejo de servir a Deus na vida religiosa.
Foi um ideal difícil de ser concretizado na época. Na Inglaterra, os conventos tinham sido todos fechados pelas leis e decretos anglicanos, os membros foram dispersados. Ela nunca tivera contato com nenhuma religiosa ou Ordem, nem se podia falar sobre tal assunto. Houve grave proibição por parte do confessor e da família, esta queria vê-la casada com um alto membro do Parlamento Inglês, pois traria vantagens e benefícios socias e eclesiásticos pela influência que exercia na corte. Mary recusou terminantemente tal projeto e pacientemente refugiou-se na oração e esperou. Só o tempo decide as coisas de Deus.
Aos 20 anos, deixou a Inglaterra e foi para Saint Omer ( hoje, Bélgica ) decidida a trabalhar lá para o Reino de Deus, levando uma vida reclusa e de oração. Lá, foi encaminhada para o Convento das Clarissas Pobres. Ficou decidido pela superiora do convento que ela ocuparia o lugar de uma Irmã conversa que deixara a Vida Religiosa, lugar vago e cujo trabalho era o de angariar o sustento para as Irmãs do coro. Durante um ano, ela esmolou de porta em porta, levando uma vida de provações duríssimas. Percebeu não ser esse o ideal que tinha em mente e, depois de muita luta e oração, deixou esse convento. Com esse acontecimento, ela descobriu, pela experiência, uma hierarquia de valores que passou a ser norma de conduta. Ela se orientou dali em diante, sempre mais para o eterno, para o que não é perecível. As provações que passou levaram-na a perceber que suas energias espirituais e psíquicas convergiam para um único fim: fazer a vontade de Deus. E esta vontade agora lhe pedia algo mais.
Pensou que fosse suficiente fundar um convento para as jovens inglesas refugiadas no Continente. Fundou o convento e entrou como noviça, mas, após algum tempo de permanência ali, enquanto rezava, recebeu uma iluminação interior; devia deixar também aquele lugar, no qual ela se sentia tão segura e o qual amava tanto. Deus exigia dela um outro trabalho apostólico. Não sabia de que se tratava, mas, por intuição, soube que isto daria maior glória a Deus. Mary passou da plenitude de felicidade em que se encontrava no convento à incerteza. Esse período foi dificílimo. Não foi fácil procurar, escolher e optar pelo o que o Senhor pedia. Obedecendo ao impulso interior, deixou o convento. Ali começou sua verdadeira missão.
Voltou à Inglaterra e lá se dedicou ao trabalho de auxiliar a todos quantos dela se acercarem, reconduzindo-os para o bom caminho. Foi um trabalho penoso se pensarmos na grande miséria moral que a Europa passava nesse momento conturbado da história. Sempre apoiada na oração, Mary pressentiu que Deus exigia dela uma obra com as características da Companhia de Jesus (Ordem dos padres Jesuítas), fundada por Santo Inácio de Loyola: sem clausura e voltada para as obras apostólicas, fugindo ao padrão da Vida Religiosa da época.


Mary Ward herda a espiritualidade de
Santo Inácio de Loyola (foto)


Ainda lá escolheu as sete primeiras companheiras de trabalho com as quais regressou a Saint Omer, em 1609 e deram início às primeiras escolas, o início do Instituto. Abertas e sensíveis aos novos ideais, esse grupo de jovens procurava unicamente ajudar a Igreja nas situações difíceis em que se encontrava.
A personalidade da fundadora, considerando-se a educação e a origem, apresentava muitos elementos que a levaram a idealizar o novo tipo de mulher religiosa. Tinha um carinho todo especial para com os pobres, sabia defender-se de qualquer situação sem embaraço e sem temores, mantinha-se livre de todo fanatismo e, com atitude distinta, gozava da amizade e admiração de pessoas notáveis, até entre os que professavam outras crenças religiosas.
Todos esses elementos conseguiram levar avante sua obra, apesar de todo tipo de dificuldade que se lhe apresentara. As palavras não podem expressar tudo o que se passou neste tempo, mas deixam entrever o que a obra exigia delas: segurança, dedicação desinteressada, trabalho e lutas sem fronteiras. Ela e as companheiras passaram por duras provas. Os jesuítas, naquela época, não viam com bons olhos o trabalho delas na Igreja nem queriam um ramo de Religiosas ligado à Companhia. O clero também não aceitava a idéia de “mulheres”ministrando o Ensino Religioso, pois a Evangelização era destinada aos homens, eles eram os responsáveis por essa missão na Igreja. A mulher deveria ficar confinada à clausura e rezar, pois para algo maior ela era considerada incapaz. Mas Mary Ward era radical: ou tudo ou nada, e ficou firme nessa resolução porque sabia que essa era a missão que o Senhor lhe confiava. Essa atitude no desenrolar da história do Instituto foi séria, visto que Mary Ward era mais prática que teórica. Queria simplesmente fazer aquilo que achava estar ao alcance da mulher; se ela tivesse preparação, poderia, sem embargo, atuar no campo apostólico.
Sem pensar em Direito Canônico, assumiu as Constituições de Santo Inácio. Queria um Instituto no qual a iniciativa pessoal dos membros fosse de acordo com o modo de pensar dos superiores; que tivessem uma sólida união, formação moderna e uma fé profunda, trabalho incansável e íntima vida de oração e relação com Deus e com o próximo.
Pelo fato de fundar uma Congregação feminina orientada para o apostolado segundo a Companhia de Jesus, empenhada na missão direta no mundo feminino e de maneira apta a formar mulheres católicas de profunda vida de fé, sua Obra trouxe metas à vida religiosa na Igreja e para a mulher em geral.
Em pouco espaço de tempo, seu Instituto prosperou. Casas foram abertas em vários países europeus e os membros aumentaram a olhos vistos. Porém, o inimigo do bem está em toda parte e começou a soprar fortes acusações contra ela, vindas do meio do clero inglês e mesmo dos jesuítas.
Com grande coragem e constância, Mary Ward empreendeu viagem em plena Guerra dos Trinta Anos, que assolava a Europa. Atravessou os Alpes no rigor do inverno para defender o Instituto diante do Papa e dos Cardeais, das falsas acusações de que era vítima. Sua característica principal foi sempre a lealdade e a verdade. Nunca usou de nenhuma fraude, nem mesmo quando percebeu estar sendo uma vítima dela. Isso exigiu sempre dos membros do Instituto também. Mesmo assim, ela não conseguiu quebrar as barreiras do Direito em vigor e superar os preconceitos tão radicais da época.
Lutou muito para conseguir a aprovação do Instituto junto à Sé, mas o muito que conseguiu foram algumas licenças periódicas para a continuação do mesmo. “Fracassou”, porque os tempos não estavam maduros para acolher seu ideal.
Com a Carta “Pastoralis Romani Pontificis”, de 13/01/1631, Urbano VIII suprimiu o Instituto, as casas foram fechadas e os membros dispersos e proibidos de dar continuidade à Obra na sua estrutura original. A Igreja foi tão severa que chegou a encarcerar Mary Ward e submetê-la a juízo da Inquisição, porém, quase sem investigação prévia.
A Inquisição libertou-a de culpa e, posta em liberdade, dirigiu-se outra vez a Roma para apelar ao Papa pelo Instituto. Foi-lhe dada a licença de abrir casas em Roma e aí viver com as companheiras. Desses pequenos grupos surgiu o Instituto Beatíssima Virgem Maria, que se esforçou através dos tempos para manter vivo o ideal desta grande pioneira.
Mary Ward, já alquebrada e enfraquecida, retornou à Pátria e, em 1645, morreu na vilazinha de Hewarth, nos arredores de York. Seu corpo foi sepultado na Igreja de Osbadwick, dos protestantes. Sobre seu túmulo foi colocada uma lápide com os dizeres:

“AMAR OS POBRES, PERSEVERAR NESSE AMOR,
PARA VIVER, MORRER E RESSURGIR COM ELES.
PARA ESSE FIM FOI DIRIGIDO TODO O ESFORÇO DE MARY WARD
QUE, TENDO 60 ANOS E 8 DIAS, EXPIROU AOS 30 DE JANEIRO DE 1645”.

Seu sacrifício, coragem e audácia permanecem como exemplo vivo no Instituto até os dias de hoje. Vivo e atuante, o Instituto espalhado por todos os Continentes procura realizar o ideal da grande inglesa. Hoje, com toda a abertura do Concílio Vaticano II, muitos daqueles princípios os quais ela não pôde concretizar enquanto viveu, estão sendo vivenciados pelos membros atuais sem nenhum impedimento. Suas diretrizes foram conservadas apesar de todos os impedimentos, confusões e mudanças históricas e chegaram até nós pelo exemplo das primeiras companheiras da fundadora. As fontes de que dispomos para o estudo da sua vida, as biografias, as cartas e escritos, a “Vida em Pinturas”nos forncecem um idéia da fidelidade dessas primeiras colaboradoras que seguiram fiéis e adotaram tudo aquilo que ela quis no início.
Atualmente os tempos são outros, mas não nos excluem da necessidade de procurar o que Mary faria se vivesse hoje, como ela interpretaria os acontecimentos históricos, como organizaria sua vida e quais as respostas que daria aos apelos atuais da Igreja e da Sociedade.
À nossa frente está uma mulher sem ilusões, uma mulher que procurou aquilo que se lhe apresentou como essencial, conservou a calma e perseverou em sua missão. Assumiu a responsabilidade que lhe foi confiada sem nenhuma tentativa de evasão. Fez todo o possível para que suas companheiras compreendessem sua missão e preocupou-se com aqueles que seriam atingidos por tal missão. Soube conservar a calma em todos os momentos difíceis, porque sempre se manteve próxima da força vital, a união com o Senhor. Desse contato florescia cada dia nova esperança sem a qual nenhum ser é capaz de viver. Nessa esperança, tornou-se livre para perceber os sinais da vontade de Deus. Sabia que Ele faria concorrer tudo para o bem daquele que crê, e que tudo acontece como Ele julga melhor.
O Instituto Beatíssima Virgem Maria (atual Congregação de Jesus) tem casas em vários países:
Argentina, Chile, Israel, Espanha, Zimbabwe, Ucrânia, Hungria, India, Cuba, Sibéria, Eslovaquia, Coréia, Romênia, Nepal, Austria, Inglaterra, Itália, Alemanha, República Tcheca, Inglaterra e Brasil. A sede geral está localizada em Roma, Itália, e a sede da província brasileira à rua dos Brasões, 96, Jardim Petrópolis, São Paulo.


COMPANHEIRAS DE MARY WARD

“Durante sua estadia em Londres, em 1609, Mary Ward, com sua vida edificante e suas palavras persuasivas, conquistou para sua missão, algumas jovens da nobreza. Estas, inspiradas por seu bom exemplo e ideal de vida, foram com ela a St. Omer, onde, sob sua direção queriam servir a Deus e aos irmãos na vida religiosa”.
Quem eram essas jovens, e o que fez com que elas permanecessem fiéis à sua primeira vocação de dedicar suas vidas a Deus para a fundação – e mais tarde a refundação – “da companhia cuja fundadora era Mary Ward”?

1. Bárbara Ward ( 1586 – 1623 )

“...Tudo que se pode desejar de uma irmã, de uma amiga, de uma súdita”( MW) .
Bárbara era pouco mais de um ano mais jovem do que Mary, que deixou Mulwith quando Bárbara tinha apenas três anos, de modo que as irmãs conviveram pouco em sua infância. Mas em 1609, seguiu Mary Ward em St.Omer. Desde o começo de sua vida religiosa, Bárbara mostrou sua inclinação para a vida contemplativa.
Porém,“sempre estava disposta a submeter-se, mesmo quando isso exigiam-se os maiores esforços. Considerava-se feliz quando tinha ocasião de ajudar sua querida irmã e agradar nela a seu Deus e Senhor por cujo amor não havia nenhuma diferença entre vida ativa e contemplativa, mas, seguindo a regra de toda a verdadeira perfeição, unia as duas, mostrando-nos assim o caminho que nós devemos seguir”.
No outono de 1621, juntamente com Winifried Wigmore, Mary Poyntz e Margareth Horde, acompanhou Mary Ward na caminhada de 1500 milhas a pé até Roma. Margareth Horde escreve sobre ela:
“Se tivesse sabido que pouco depois de sua chegada a Roma fosse morrer, não teria pedido preparar-se melhor. Se desfalecíamos no caminho ela nos animava; se nos sentíamos desanimadas, buscava um consolo; se nos invadia a tristeza, tinha sempre alguma pequena brincadeira para devolver-nos a alegria”.
Viveu só treze meses em Roma, seis meses relativamente bem de saúde e sete meses gravemente enferma. Em junho de 1622 a comunidade se viu atacada por um mal que a princípio parecia ser um simples problema de pele por causa do sol. Bárbara teve muita febre resultante desse problema. Quando melhorou um pouco foi levada à Torre dei Specchi para mudar de ambiente e aprender italiano. Nesses três meses foi se debilitando gradativamente e se encontrava muito mal, porém,
“seu comportamento foi tão edificante que algumas irmãs do convento lamentavam o fato de não termos chegado antes a Roma, pois sem dúvida teriam entrado conosco”.
Tomou muitos remédios, inclusive uma breve estadia no campo – “ficamos nesse lugar até que duraram nossas provisões( dinheiro.)
Bárbara foi debilitando-se cada vez mais. Em Gesú, em Torre dei Specchi e em outros conventos de Roma as pessoas rezavam continuamente por ela. Na madrugada de 25 de janeiro de 1623,
“entregou sua alma com tanta paz como se estivesse dormindo”.
Foi sepultada na Igreja do Colégio Inglês.

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2. Susanna Rookwood ( 1588 – 1624 ).

“Tinha um zelo extraordinário pela glória de Deus e a salvação das almas. ( Necrológio ).
Era uma Rookwood de Coldham Hall em Suffolk. Seus pais “eram muito virtuosos e haviam sofrido muito na perseguição por causa da fé tanto em multas e perdas de bens como por ouras humilhações. Porém, sua casa estava sempre aberta para os sacerdotes e era um lugar onde muitos católicos recebiam grande consolação espiritual”.
Seu irmão Ambrósio foi executado por sua participação na Conjuração da Pólvora. O quadro 17 da Vida em Pinturas representa a visita de Mary Ward a Coldham Hall em 1609; então Susanna decidiu partir com ela para St. Omer. Em 1614, seis membros trabalhavam na Inglaterra. Susanna foi nomeada superiora.
“seguidamente corria perigo de morte por causa de sua fé católica e para a qual muitas pessoas retornaram; a muitas outras pessoas preservou e fortaleceu em sua fé. Esteve cinco vezes numa prisão por causa de sua fé; ali confortou e reanimou a outros prisioneiros, com meios espirituais e materiais”.
Em 1621, foi chamada a Liège e em 1622 a Roma. Como “escrevia bem e era rápida ”foi secretária e assistente de Mary Ward. Em 1623,foi nomeada superiora da nova fundação de Nápoles, onde, apesar da extrema pobreza, conseguiu reunir um pouco de dinheiro para enviar a Roma. Numa carta de Mary Ward a ela podemos ter:
“você faz bem, e isto o teria que fazer toda superiora, em não escrever você mesma, mas em confiar tais tarefas que podem ser realizadas por outras pessoas da casa, quando você mesma não está em condições ou está demasiado ocupada para escrever; a uma superiora nunca falta trabalho e trabalho mais importante que escrever cartas de cortesia, etc.”
Foi em Nápoles, que, no dia 25 de março de 1624,
“tendo levado uma vida mui santa nesta cidade e tendo deixado um grande exemplo de santidade e prudência, decansou na paz do Senhor”.
Não conhecemos mais detalhes acerca das circunstâncias de sua morte.


3. Joanna ( ou Jane ) Browne (1585 –1630)

“Mostrou seu valor por sua maravilhosa sabedoria e prudência”.

Era a que tinha mais idade no grupo e foi aquela que se mudou para St. Omer Mary Ward, era da família Ward, prima dos Rookwood e dos Babthorp. Permaneceu em St. Omer até que em 1614 voltou à Inglaterra para assitir a seu pai moribundo; em continuação devia passar algum tempo na missão inglesa junto com Susanna Rookwood já que se conta dela que “suportava o peso e o calor do dia e os panoramas mais sombrios no horizonte, com firmeza e ânimo inquebrantável”.
Em 1623, foi enviada a Nápoles, onde foi “de grande utilidade”, foi responsável pelas meninas da escola, mais tarde, pela direção prática da casa. Quando Susanne Rookwood morreu repentinamente em maio de 1624, Joanna foi de grande ajuda para a superiora suplente Winefried Wigmore e “mostrou seuvalor por sua maravilhosa sabedoria e prudência”.
Em 1629, adoeceu gravemente e Mary Ward fez com que fosse levada a Munique: proporcionou uma liteira para a viagem e enviou uma Irmã e um criado para atendê-la. Em Munique havia dois quartos reservados para ela e uma Irmã que iria assisti-la como enfermeira. Alguém manifestou que isto era excessivo.
“Como pode pensar assim? Você queria que regateássemos algum gasto para alguém que antes jamais regateou o colocar-se a serviço de Jesus Cristo?”, assim respondeu Mary Ward.
Joanna morreu em 23 de fevereiro de 1630 e foi enterrada no claustro da Igreja dos franciscanos.


4.Catherine Smith ( 1583 – 1655 )

“Permaneceu firme em meio a todas as dificuldades do Instituto, como rocha num mar turbulento”.

Provavelmente foi uma das quatro que viajaram com Mary Ward à Inglaterra em 1614. É certo que era superiora de uma das quatro casas de Flandres quando lhes foi lida a Bula de Supressão e lhes foi dado 14 dias para saírem dali. Nesse tempo sua sabedoria e sua coragem deram alento às Irmãs em suas dificuldades. Foi a Munique, logo a Roma e em 1637 acompanhou Mary Ward na sua viagem à Inglaterra. Esteve com ela em St. Martin’s Lane em Londres, mais tarde em Hutton Rudby, Heworth e York. Após a morte de Mary Ward fez parte do grupo que foi a Paris, onde morreu em 29 de abril de 1655.


5. Bárbara Babthorpe ( 1592 – 1645 )

“... tão amável e bondosa com os demais, que com seu governo amoroso conduzia todos os corações para Deus”.
Com a idade de oito anos conheceu Mary Ward quando esta foi viver em Babthorp Hall. Em 1608, entrou com as Beneditinas de Bruxelas, porém contraiu uma doença da garganta que a incapacitou para o canto do coro. Quando, então, se inteirou dos novos planos de Mary Ward foi com ela a St. Omer. Em 1612, sem ainda ter completado vinte anos tornou-se superiora e mestra de noviças. Em 1616 acompanhou as noviças a Liège, Colônia e Trévere, até que,no começo de 1627 foi chamada a Munique. Continuando essa viagem acompanhou Mary Ward a Viena e Bratislava onde foi superiora. Em julho de 1628, escreveu:
“Nossa casa logo será terminada, isto é, coberta, pois toda a parte superior está demolida. Foram colocadas vigas,porém não está coberta ainda. No que se refere às escolas, já dizia Sua Eminência – e já o sabemos por experiência – que nos próximos meses vamos precisar de muita paciência”.

Em 1631, deixou Bratislava aos cuidados de Frances Brookesby e foi a Munique para ajudar Mary Ward. Permaneceu ali durante a invasão sueca e obteve mais tarde a autorização para reabrir a escola durante o dia. Em 1636, lhe escrevia Mary Ward:
“Jesus te guarde de cobrar o mínimo que seja das crianças. Se você faz esta obra de caridade, então faça-a de coração e não como uma mercenária, caso contrário, querida, segue meu pobre conselho e deixa tudo!”.
Quando Mary Ward pensou em regressar à Inglaterra em 1637, chamou Bárbara a Roma e lhe confiou o cuidado daquela casa. Em 1645, após a morte de Mary Ward foi nomeada Superiora Geral, até sua morte em 1653. Antes de morrer escreveu uma oração:
“Minha queridíssima e bem-aventurada Mary Ward, eu recorro com o mais sincero e filial afeto à tua amorosa e maternal assitência, agora com mais confiança do que nunca, já que é chegado o tempo em que parece que a morte chama à porta; por isso suplico, roga por mim, para que eu não deseje mais do que Deus quer...”.

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6. Winefried Wigmore ( 1585 – 1657 )

“Alguma vez se disse... que ela era a mais querida de Mary Ward, entre as sete companheiras que viajaram com ela a St. Omer em 1609”.

Winefried, nascida no mesmo ano que Mary Ward, parece que deslizou com toda naturalidade no papel de amiga íntima e secretária de Mary Ward. Tinha uma cabeça clara, falava e escrevia cinco idiomas, possuía a capacidade de resolver as questões mais difíceis e seu julgamento era ponderado e prudente. Era discreta ao extremo e tinha grande poder de atração sobre os demais. Seus dons consistiam mais em sua capacidade de conduzir as pessoas a Deus e em formá-las em sua vida espiritual, do que em sua idoneidade para tarefas exteriores de governo. Foi nomeada superiora contra sua vontade; sentia-se melhor como mestra de noviças.

“Não havia nenhum assunto, nenhum trabalho em que não tivesse participado, compartilhando as múltiplas dificuldades e problemas de Mary Ward”.
De 1614 a 1618 acompanhou Mary Ward como companheira, secretária e enfermeira nas diversas viagens à Inglaterra; esteve junto a ela na fundação da segunda casa, a do noviciado, em Liège, assim como em 1619-1620 em Colônia e Trévere; viajou com ela para Roma em 1621 e para Nápoles em 1623, onde foi procuradora, mestra de noviças e, após a repentina morte de Susanna Rookwood, ficou como superiora suplente. Permaneceu em Nápoles até que, no final de 1627 Mary Ward a chamou a Munique com a intenção de nomeá-la superiora da casa que planejavam abrir em praga. Mary Ward lhe escreveu de Praga em 06 de março de 1628:
“Onde Deus colocar você ainda não sei, tão pouco, se vamos fazer uma nova fundação aqui em Praga,ou não. O que quero dizer e já estou decidida, é que, ou começamos isso em condições favoráveis ou então nem começamos... Quanto da língua alemã, conseguiu aprender? Oh, se pudesse falar este idioma, por menos que fosse, seria bom! Faça o melhor que pode de sua parte com sua costumeira diligência e Deus, para cuja glória importa tanto esta pequenez, ajudará”.
Na realidade, o plano teve que ser abandonado e Winefried permaneceu em Munique até começo de 1629. Então acompanhou Mary Ward em sua viagem a Roma, pois ela estava tão enferma que sua provisão de alimentos para a viagem “consistia de um saquinho de farinha de aveia com a qual preparava um levíssimo creme que tomava com um pouco de sal”. Queria fazer uma nova tentativa de conseguir a aprovação do Instituto. Depois de três meses, estava claro que em Roma não se podia conseguir nada e regressaram a Munique.
Os problemas em Flandres iam aumentando, Mary Ward tinha que ir a Viena e então enviou Winefried a Flandres como Visitadora em seu lugar. Porém, chegou demasiado tarde. Em fevereiro de 1631, quando Mary Ward estava já encarcerada no convento de Anger, foi ela também, Winefrid, encarcerada em Liège.
Após terem sido libertadas, ficaram juntas novamente até a morte de Mary Ward: durante cinco anos em Roma, na casa próxima a Santa Maria Maior; durante a longa viagem de regresso à Inglaterra passando por Paris, onde enfrentaram o inverno em 1637-1638, passaram também por Liège e St. Omer. Em maio de 1639 estavam na Inglaterra, primeiro em Londres, logo em Hutton Rudby e York. Uma de seus últimas atitudes foi a viagem de York a Londres a pé, para levar cartas e recolher a correspondência que porventura tivesse. Teve que atravessar dois exércitos, era inverno e a acompanhava o temor de não regressar a tempo de encontrar Mary Ward com vida. De fato, chegou com notícias de Londres mas não de Roma ou Munique, oito dias antes da morte de Mary Ward.
As companheiras permaneceram durante cinco anos em Heworth com Mary Poyntz como superiora. Desde 1649, quando o rei Carlos I foi executado e se estabeleceu o Puritano “Commonwealth”, a vida se tornou mais difícil para os católicos. A idéia de transladar-se para Paris e abrir ali um escola para meninas inglesas se converteu em plano definitivo, quando o proprietário da casa de Heworth a pediu de volta para seu uso próprio. Em 1650 partiram para Paris e Winefried foi a diretora do internato e mestra de noviças quando começou a entrar novos membros. Depois de passar sete anos nesse trabalho, morreu em paz com a idade de 72 anos e foi sepultada no cemitério das monjas Bernardinas.

7. Mary Poyntz ( 1593 – 1667 )
“Eis aqui aquela, por cujas instruções Deus quer salvar-me!”(palavras que segundo a tradição, foram pronunciadas por Mary Poyntz no seu primeiro encontro com Mary Ward ).
Mary Poyntz, prima de Winefried Wigmore, era a mais jovem das que foram com Mary Ward a St. Omer e das que a acompanharam a Roma em 1621. Em Roma ensinou na escola. Em 1626, Elizabeth Cotton e ela foram com Mary Ward a uma viagem, que na realidade deveria tê-las levado à Inglaterra, mas terminou em Munique, onde fundaram a Paradeiserhaus. Foi a primeira superiora da casa, enquanto Mary Ward viajou para Viena e mais adiante Bratislava e Praga. O cargo foi uma pesada responsabilidade, pois foi em Munique, que em 07 de fevereiro de 1631, Mary Ward foi detida e encarcerada. Mary Poyntz teve que informar aos quarenta membros da casa, escrever às demais e organizar a comunicação com a prisioneira. Havia crescido na Inglaterra os tempos de perseguição e sabia algo sobre cartas de limão. Por isso na cesta que levava comida para Mary Ward, em Anger, havia sempre limão. De Mary Ward chegavam as instruções:
“Não se queixem. Encomendem-me com carinho a todas da casa... Seja feliz e não duvide de nosso bom Mestre...Não quero que a reitora ou você (Elizabeth Cotton ) estejam na capela depois das nove da noite ou antes das seis da manhã... Sete horas na cama e a madre reitora tem que cantar uma alegre canção cada dia que estou aqui”.
Mary Poyntz e Elizabeth Cotton receberam também instruções sobre memoriais que tinham que mandar a Roma.
No dia 15 de abril, chegou a ordem de liberdade da prisão para Mary Ward. Quando, em agosto de 1632 abandonou Munique para ir a Roma, Mary Poyntz ficou como responsável da Paradeiserhaus. Reinava a mais extrema pobreza e as tropas de Gustavo Adolfo avançavam para Munique. Muitos religiosos fugiram e as Ursulinas de Hall ofereceram hospedagem a Mary Poyntz e sua comunidade – porém ela tinha medo de perder para sempre a Paradeiserhaus e decidiu ficar. Sua grande ajuda foi Anna Rörlin, uma Irmã alemã que era capaz de sair e mendigar para suas companheiras.
No ano seguinte, Mary Ward nomeou Winefried Bedingfield como superiora de Munique e chamou Mary Poyntz a Roma. Antes de partir visitou o Eleitor e sua esposa e pediu permissão para abrir novamente as escolas. No final de setembro de 1633, abandonou Munique e chegou a Roma em 29 de outubro para assumir a responsabilidade de outro tipo de comunidade, submetida continuamente à estreita vigilância. Mas sua maior preocupação era a saúde de Mary Ward, que foi piorando cada vez mais no final de 1635. Em setembro de 1637, Mary Poyntz e Winefried Wigmore empreenderam com ela o caminho para a Inglaterra; Bárbara Babthorp ficou como responsável em Roma.
Durante todos esses acontecimentos na Inglaterra até a morte de Mary Ward, Mary Poyntz foi a “superiora local” do grupo e permaneceu como tal nos cinco anos seguintes em Heworth e os primeiros anos de Paris. Quando Bárbara Babthorp ficou doente em 1655 e quis renunciar como Superiora Geral, chamou Mary Poyntz a Roma, onde foi eleita como sucessora de Bárbara em 1654. Bárbara faleceu antes que as Irmãs que estavam reunidas para eleger Mary Poyntz, tivessem saído de Roma.
Ainda que a casa de Roma fosse a Casa Mãe até 1711, Mary Poyntz passou a maior parte do tempo na Alemanha, onde pôde abrir uma segunda casa em Augsburg em 1622. Levou quatro Irmãs inglesas da Paradeiserhaus e quatro alunas inglesas para começar a nova escola. Em Augsburg ganhou amigos influentes, incluindo o bispo Christofh von Freiberg, nomeado em 1665 e cujo apoio ajudou no começo do reconhecimento do Instituto por parte da Igreja, ao menos em nível local. E foi em Augsburg que Mary Poyntz faleceu em 30 de setembro de 1667.

Da “segunda geração” que conheceu Mary Ward quando ainda eram muito jovens há duas delas que têm lugar especial na história do Instituto:

8.Helena Catesby ( 1631 – 1701 )

“Esta é minha mãe que nunca mais quero abandonar”.
(Exclamação de Helena em seu primeiro encontro com Mary Ward )

Helena, sobrinha segunda de Robert Catesby, um dos conspiradores da Conjuração da Pólvora e parente de Mary Ward por parte de sua mãe, aos nove anos, por ocasião de uma visita, foi levada à casa de Mary Ward em Londres. Desde esse momento desejou permanecer com Mary. E ficou como uma das alunas da escola de Londres que foram com as Irmãs a Hutton Rudby e a Heworth. Foi uma das primeiras postulantes que entrou em Paris; de lá viajou com Mary Poyntz em 1653/54 a Munique para fazer seu noviciado.
Em 1680, quando era superiora em Augsburg, acompanhou uma irmã jovem, Philipps Baumfelderin, até Burghausen para visitar seu irmão enfermo. Dessa visita resultou o convite para abrir ali uma casa. Com a ajuda da herança do irmão de Philippa e o dinheiro que a Irmã de Helena queria investir na Alemanha, a casa foi comprada em 1638 e iniciou-se a comunidade com 07 Irmãs, entre elas Philippa, e Helena como superiora. Em 1687, foram admitidas as primeiras postulantes que foram seguidas por muitas outras. As escolas ganharam excelente reputação e eram provenientes de outras partes da Baviera e Austria. O ensino ministrado pelas Damas Inglesas incluía: o falar, o ler e o escrever, latim, alemão, francês, inglês e italiano, cultura geral, música, pintura e bordado. Porém, juntou-se a isso uma cuidadosa formação do espírito e do caráter e sobretudo a educação religiosa.
Helena devia ter algo do encanto pessoa e a capacidade de ganhar outros em sua conversação, da mesma forma que Mary Ward. Levou uma vida muito austera e mortificada. Ao ouvir que a chamavam “a dama das mãos maravilhosas” introduziu suas mãos em cal viva para desfigurá-las para sempre. Por amor ao Santíssimo permanecia ajoelhada por seis ou sete horas diárias diante do sacrário, inclusive nos dias de frio intenso e sendo já idosa e enferma. Morreu em 1710 com a idade de 70 anos.


9. Frances Bedingfield ( 1616 – 1704 )
“No que se refere à sua vontade, sobretudo sua grande fé e confiança em Deus, era muito parecida com Bess Phillis ( um pseudônimo de Mary Ward )... as pessoas costumavam dizer que na sua presença não temiam nenhum perigo”.
( Dorothy Paston Bedingfield )
Frances foi uma das onze irmãs Bedingfield de Oxburg, suffolk, das quais dez se tornaram religiosas em diversos conventos do Continente; sua irmã mais velha Winefried foi um dos primeiros membros da comunidade de Munique e sua superiora durante longos anos. Frances mesmo entrou em 1630 aos 14 anos em Munique e de lá foi a Roma, onde emitiu seus votos em 08 de setembro de 1633 em Santa Maria Maior. Mary Ward escreveu a Winifried que estava em Munique:
“Frances está bem e em todos os sentidos se comporta tão bem como posso desejar. Que Jesus faça dela uma santa”.
Pouco depois de sua profissão, foi enviada à missão inglesa e foi uma das que pertenceu ao grupo das “últimas companheiras” de Mary Ward desde sua chegada à Inglaterra ( 1609 ) até sua morte. Em 1650, foi com a comunidade a Paris, mas logo foi chamada a Roma pela nova superiora geral Bárbara Babthorp. Provavelmente Mary Poyntz, sucessora de Bárbara, aprovou, antes de sua morte em 1667, o plano de Sir Thomas Gascoigne de fundar uma casa do Instituto no norte da Inglaterra e Frances foi designada como a pessoa mais idônea para encarregar-se do plano.
Ao chegar à Inglaterra, percebeu que os amigos de Sir Thomas haviam interferido naquele plano e ficado com o dinheiro destinado para o Instituto. Ela foi a Hammersmith, um povoado fora de Londres e, encontrou uma casa para alugar.
O dono da casa a olhava com certa suspeita... estava tão pobremente vestida... porém disse que por ser uma Bedingfield queria confiar nela, embora não a conhecesse”.
Assim começaram sem móveis e sem dinheiro,
“de maneira que durante um certo tempo dormiram sobre palha”.
Mas, encontrou algumas alunas e crédito e mais adiante um empréstimo para comprar uma casa. Em Hammersmith usufruiu também do favor da esposa de Carlos II, a rainha Catharina de Bragança.
A casa esperada no norte da Inglaterra se transformou em realidade, quando em 05 de novembro de 1686 pode ser comprada com a ajuda de Sir Thomas Gascoigne. Ela comprou uma casa fora de Micklgate Bar em York, sob o nome de “Frances Long “. Durante oito anos a pequena comunidade (conhecemos os nomes das nove Irmãs ) viveu ali em paz, mas em 1694 foi vistoriada e “Mrs. Long” e “Mrs Paston “, sua sobrinha, foram conduzidas à prisão de Ousebridge. De lá escreveu ao bispo anglicano de York para pedir sua ajuda na obtenção da liberdade...
“... sei que o senhor é compassivo e misericordioso e poderá imaginar como é dura a prisão para mim que daqui a dois anos completo oitenta anos. Temos vivido nesta cidade nos últimos oito anos, e estou segura de que ninguém que tenha em si um mínimo de justiça ou bondade possa afirmar outra coisa, a não ser que temos nos comportado pacífica e legalmente”.
Era a terceira vez que ficava presa depois da prisão de Londres em 1674 e York em 1679. Após sua liberdade houve outra vistoria na casa e pouco depois um ataque por um bando hostil; a tradição atribui a proteção da casa a São Miguel que foi visto como
“uma esbelta figura montado num cavalo branco brandindo uma espada”.
Em 1696 ou 1697 Frances Bedingfield terminou seu tempo como superiora de York. Sua sucessora foi sua sobrinha Dorothy Paston Bedingfield. Mas logo a nova superiora maior Anna Bárbara Babthorp ( eleita em 1697 ) a chamou a Munique. Ela estava planejando pedir a aprovação das 81 Regras ( concedida em 13 de junho de 1703 ) e queria o conselho daquela que, com seus 84 anos, era “a mãe de todo o Instituto, em exemplo de virtude e luz resplandecente para todos os membros”. (Chambers). Antes de regressar a Roma nomeou Frances como superiora da casa de Munique. Ali morreu em 1709 com a idade de 88 anos.

Bibliografia:
Companheiras de Mary Ward: M.Philip Hardman;
Vida de Mary Ward: M. Catharine Chambers, IBVM;
St. Mary’s Convent, Micklgate Bar, York ( 1686 – 1887 ):

Editado com um prefácio de Henri James Coleridge, SJ.
Subsídio de Roma- Semana de Mary Ward - 2003


OS PASSOS DE MARY WARD ATÉ FUNDAR O INSTITUTO
(ATUAL CONGREGAÇÃO DE JESUS)

INTRODUÇÃO

Mary Ward foi, então para Inglaterra, juntou dinheiro com alguns de seus amigos, conseguiu permissão do bispo e voltou para St. Omer, onde fundou uma casa de Clarissas e assim pode viver como queria. Entretanto no dia 2 de maio de 1609, Mary, com 24 anos, experimenta a primeira intervenção divina em sua vida. Deus lhe diz que Ele queria “...outra coisa....uma coisa boa, e que era a vontade de Deus”

1. INGLATERRA
Mary deixa novamente St.Omer, volta pra Londres, para tentar descobrir qual era essa coisa boa, vontade de Deus. Passa a viver em Strand, o quarteirão da moda em Londres. Lá ela passava seus dias em oração, jejum e penitência, mas, de vez em quando, vestida elegantemente, como as moças de sua época, freqüentava os eventos para arrebanhar almas para Deus com sua conversa alegre e fervorosa. Usava, porém, embaixo de suas vestimentas, em contato com a pele, uma camisa, pesada de tecido bastante rústico, que machucava o seu corpo franzino devido ao seu uso constante.

Foi nesse local, quando se arrumava para sair, que Mary Ward teve o primeiro de seus 3 momentos de iluminação

“Enquanto arrumava os cabelos diante do espelho, sobreveio-me improvisadamente algo sobrenatural. Todo o meu ser ficou tomado e reconheci claramente e com inexprimível segurança que eu estava destinada (...) a algo diferente e que poderia dar maior glória a Deus. A minha alma ficou repleta desta glória e por certo tempo não pude sentir nem ouvir outra coisa, a não ser as palavras: “Glória. Glória”.

A visão da glória fixou a finalidade da obra: deveria ser orientada para a maior Glória de Deus. Tudo o que veio, a partir daí, era referido a Deus. Com a Visão da Glória nasceu o Instituto.

Assim, cheia de amor por esse trabalho, Mary Ward juntou suas companheiras: Susan Rookwood, Jane Browne, Mary Poyntz, Winefried Wigmore, Barbara Ward e Barbara Babthorpe, perfazendo no total um grupo de 7 membros e dirigiram-se para St.Omer.

2. SAINT OMER, NA FRANÇA

Em Saint-Omer, Mary começou um trabalho apostólico com ingleses imigrantes adultos e depois com a educação de crianças inglesas que moravam na cidade juntamente com as locais.

A escola de Mary Ward oferecia às meninas, um curso de leitura, escrita, bordado e religião, em três anos. Não havia distinção de “status” social e suas professoras eram proibidas de prestar atenção a isso. Mary pensava que as mulheres eram capazes da mesma educação que os homens, embora ela achasse que não precisavam dos mesmos assuntos. Dessa forma, o Grego e Hebraico, ela substituía pelas línguas modernas e por treinamento físico e dança. Caligrafia era muito importante, assim como Retórica, que ela encorajava através do teatro, e que era uma grande inovação e um escândalo na época.

Afinal em 1611, convalescendo de sarampo, ela experimentou mais uma vez a intervenção divina.

“ Naquele período adoeci gravemente. Enquanto me restabelecia da doença, encontrando-me um dia sozinha e mergulhada numa extraordinária tranqüilidade de alma, ouvi claramente, não através de uma voz, mas de uma maneira espiritual estas palavras: Toma o mesmo da Companhia. O padre Geral nunca irá permiti-lo. Vá até ele.”

Afinal o que era “o mesmo da Companhia? Era a Magna Carta Jesuíta, as linhas essenciais da Companhia, escritas por Inácio de Loyola, que são válidas até hoje. Essa substância era o que Mary Ward sabia que devia adotar na sua totalidade, com alguma variação para as mulheres.

“Nós devíamos adotar o mesmo, seja no que se refere ao conteúdo ou a atividade, com exceção feita somente a
diversidade de sexo”

–Assim, Mary Ward dá início aos Planos para seu Instituto, e aí começam a aparecer seus inimigos, que eram gente da própria hierarquia da Igreja, que ela tanto amava e queria servir. As acusações e calúnias contra ela e suas companheiras se multiplicavam e as dificuldades aumentavam. Mas, no dia 1º de novembro de 1615, com 31 anos de idade, Mary Ward recebeu a última das três grandes iluminações espirituais que moldaram seu Instituto.

É o que chamamos de Visão da Alma Justa. Aquela alma chamada para seu Instituto, deveria ter três grandes qualidades: LIBERDADE, JUSTIÇA E SINCERIDADE.

Com isso estava pronto o esboço final do seu Instituto e começava o seu sofrimento.

Seus inimigos eram: Os padres seculares ingleses que não se entendiam com os Jesuítas e chamavam as Damas Inglesas, pejorativamente de Jesuitinas.

E os próprios jesuítas que não queriam uma ordem feminina, conforme determinação de Santo Inácio.

Entretanto, o ponto central de seus problemas era o fato de querer uma Ordem feminina sem clausura. Algo inconcebível para a mentalidade da época.


3. LIÈGE, NA BÉLGICA

Mary chegou a Liège no outono de 1616, e iniciou o trabalho lá. Enfrentou, porém novos contratempos. Um é de particular relevância porque mostra o preconceito contra as mulheres na época, bem como a idéia de Mary a respeito do potencial feminino.

Ao saber que o trabalho das Senhoras Inglesas era estimado em Roma, o ministro Jesuíta disse:

Todos - “É verdade enquanto elas ainda estão no começo, mas com o tempo este fervor vai acabar. Afinal são apenas mulheres!”

- Ao saber disso Mary Ward responde:
“Não há diferença entre homem e mulher, a mulher pode estar em pé de igualdade com o homem e até ser-lhe superior. A inferioridade existe, quando alguém, homem ou mulher, se desliga de Deus, pelo pecado e apostasia interior. A diferenciação de superioridade entre homem e mulher, está na base da vontade e liberdade: Fervor é fazer bem, o comum, o simples, o ordinário.”


4. NOVAMENTE NA INGLATERRA

Mary Ward volta à Inglaterra para arrecadar dinheiro, devido às suas dificuldades financeiras. Esta viagem foi muito rica em acontecimentos.

Foi durante essa visita à terra Natal que, ao visitar o Arcebispo de Cantebury, não o encontrando em casa, Mary deixa seu nome escrito no vidro da janela, com o anel de diamante que usava

Quando voltava para a Europa de navio, ventos contrários a levam para a Inglaterra de novo. E por causa de um objeto de devoção a Maria que Mary Ward usava um guarda começa a blasfemar, ao que Mary responde à altura, sendo, então, feita prisioneira e condenada à morte.

Foi solta por seus amigos, que pagaram sua fiança e assim ela pode retornar a Liège, onde encontrou uma comunidade cheia de desavenças.

5. LIÈGE, UMA COMUNIDADE COM PROBLEMAS

A origem desses problemas era uma irmã, Praxedis, que dizia ter todo o tipo de visão, completamente diferentes daquelas da fundadora. Ela dizia que Mary Ward tinha sido iludida pelo demônio e que a estrutura do seu Instituto não vinha de Deus.

Mary ficou aborrecida e cheia de dúvidas, fez longas meditações para saber qual era a vontade de Deus e então pediu a Praxedis que escrevesse tudo o que recebeu de Deus sobre a estrutura de seu Instituto.

Praxedis estava levemente enferma e ao receber a ordem, riu e disse que, se não recobrasse a saúde logo, todas as suas visões seriam falsas, tudo que tinha dito era mentira, e que Mary Ward era iluminada por Deus.

Praxedis morreu no dia seguinte, sem ter tido a chance de escrever uma única palavra.

Mary Ward esboçou o 3º plano de seu Instituto e começou a se preparar para levá-lo a Roma. As calúnias contra ela fervilhavam. Diziam que havia uma perigosa intimidade entre as comunidades de Mary Ward e a dos Jesuítas em Liège. Que dois jesuítas viajaram com elas numa mesma carruagem. Que elas ficavam na igreja até altas horas, em confissão. E que elas tinham sido convidadas para almoçar no jardim dos jesuítas.

6. EM COLÔNIA E TRIER, NA ALEMANHA

Em Colônia, uma casa foi logo encontrada, mas a falta de dinheiro fez com que Mary demorasse ainda seis meses para começar o trabalho. De Trier menos se sabe. Apenas que foi fundada com a aprovação do Arcebispo da cidade.

Pobreza era a marca das fundações de Mary Ward. A única exceção era a comunidade em Londres.

O terceiro plano estava pronto para ser apresentado a Paulo V, quando ele morreu, mas Mary não desanimou e munida de várias cartas de recomendação de amigos ilustres decidiu empreender uma viagem a Roma.

Assim vestidos como peregrinos, Mary Ward e mais sete companheiros e dois cavalos iniciaram a viagem de duas mil milhas à pé, atravessando os Alpes gelados. Andaram durante o dia até chegarem a uma hospedaria, onde jantaram, fizeram orações, ajudaram com a arrumação, dormiram, tomaram café da manhã e novamente partiram em jornada.

O traje de Mary Ward consistia de um chapéu pontudo, um vestido marrom escuro, bem fechado no pescoço e nos pulsos, uma capa curta e escura, um grande rosário no pescoço e um cajado na mão.

Mary, já com a saúde debilitada ( do sarampo, pegou tuberculose, que lhe deu uma tosse que não a deixava em paz, além de sofrer de pedras da vesícula) fez o percurso de Bruxelas a Roma a pé, em dois meses e três dias, sem parar.
A comitiva de Mary Ward possuía dois cavalos, um para carregar os pertences do grupo e outro para ser montado por aqueles que estivessem muito cansados para andar. Mary nunca o cavalgou.

7. ROMA, NA ITÁLIA

Em Roma, eram estranhas num país estrangeiro, longe de casa, com poucos recursos, sem conhecer a língua, sem provisões, sem dinheiro. Tudo isso parecia demasiado até para o mais perfeito dos homens.

Entretanto, Mary tinha em Roma, dois conhecidos, Edmund Neville, seu antigo pretendente, e o irmão de Mary Pointz, John, que eram alunos na Universidade Inglesa de Roma.

Assim, a primeira casa de Mary foi nessa redondeza.

No dia 28 de dezembro, as Senhoras Inglesas foram para uma audiência com o Papa Gregório XV, que com 70 anos, já mostrava sinais visíveis de sua doença. Mary ficou bastante entusiasmada com a conversa que teve com o Papa e pensando obter para breve a aprovação de seu Instituto, resolveu permanecer em Roma embora com poucos recursos.

Nos primeiros meses de 1622, dois documentos contra ela foram apresentados ao Papa.

Em 1º de Julho de 1622, Mary pediu a permissão para fazer funcionar a sua primeira escola em Roma e somente depois de sete semanas obteve a resposta afirmativa. Mary começou desta vez, muito cautelosamente, ensinava somente as matérias seculares para não ser acusada de estar tomando o lugar dos padres, embora o ensino religioso fosse prioridade em suas outras escolas.

Em todo lugar que Mary fundava o Instituto, sua preocupação inicial era começar com uma escola, pois a educação sempre foi e ainda é a maior preocupação de trabalho de suas seguidoras.

As escolas de Mary em Roma eram freqüentadas pelas meninas pobres, porque as ricas iam para os internatos, e havia casas especiais para as prostitutas e mães solteiras, mas o povo comum e trabalhador raramente tinha oportunidade de aprender a ler e escrever.

8. NÁPOLES, NA ITÁLIA

No dia 12 de maio de 1623, Mary com duas companheiras foram a Nápoles com intenções de fundarem uma comunidade.
Não conheciam ninguém na cidade e Mary parou numa estalagem, exausta e sofrendo de um ataque de pedras na vesícula.

Receberam ajuda dos piedosos Napolitanos e dos padres jesuítas.

E enquanto Mary fundava sua comunidade, morreu o Papa Gregório XV (quinze), sendo eleito o novo Papa, Urbano VIII (oitavo).

9. NOVAMENTE EM ROMA

Foi pouco antes de 27 de Outubro de 1624 que a entrevista de Mary e Urbano VIII aconteceu. Nela o Sumo Pontífice pode ter uma idéia do caráter corajoso, determinado, sincero e completamente aberto de Mary. É nessa ocasião que ela, ousadamente, diz ao Papa que, não só, seu Instituto já foi confirmado no céu, mas também lhe pede uma mudança no nome dos cardeais que estão julgando sua petição, por considerar que os atuais tinham compreendido mal a natureza do Instituto e lhe eram adversos.

Mary Ward foi vítima da tirania, da ignorância e da cegueira medieval, por ter sido inovadora e como tal considerada perigosa às autoridades.

A petição de Mary foi, finalmente, julgada. Quatro argumentos apareciam contra ela:

Suas seguidoras andavam livremente pelas ruas e se encontravam com jovens, para o escândalo da religião.
. Aliciavam jovens ricas para o Instituto e dissipavam suas fortunas.
. Encenavam peças teatrais com suas alunas.
. Exaltavam os jesuítas em detrimento aos padres seculares ingleses.
. E assim, graças a esses argumentos o Instituto de Mary Ward foi banido.
Mas, isso não foi posto em prática imediatamente, ou porque o decreto não foi dado para o Papa assinar ou porque o próprio Urbano VIII não quis autorizar a ação de supressão imediata. Somente no dia 21 de abril um decreto saiu dizendo que as Senhoras Inglesas não deveriam mais viver juntas, nem usar um hábito nem ensinar nas escolas. Ou elas aceitavam a clausura ou deveriam fazer outra coisa.
Com tudo isso as sombras na vida de Mary Ward estavam começando a aparecer e se estenderiam por algum tempo até que houvesse alguma luz.


 

Congregação de Jesus: O SONHO DE MARY WARD


JHS - iniciais do nome de Jesus (em grego)

A mudança do nome Instituto Beatíssima Virgem Maria para o de Congregação de Jesus não é simplesmente algo exterior, ainda que se tenha de esclarecer os aspectos jurídicos.

Nas Constituições da Companhia de Jesus, Mary ward encontrou o modelo para as atividades apostólicas e a filosofia educacional do IBVM se inspira, portanto, na espiritualidade Inaciana. A denominação “Congregação de Jesus”é um programa, é um desafio. O nome de Jesus pertence essencialmente ao Carisma fundacional. Jesus é um nome bíblico, e o nome, na Bíblia, expressa identidade e missão da pessoa que o recebe. Identifica-se com o seu ser.
Toda a vida de Inácio está marcada por essa relação pessoal com Cristo. Sente-se diretamente atraído por Ele, que é o modelo em sua maneira de proceder e na de seus companheiros de missão.
Também para Mary Ward, o nome de Jesus é de uma importância extraordinária. Ela está convencida de que seu Instituto deve trazer o nome de Jesus: “A respeito do nome compreendi, duas vezes, em anos distintos..., que a denominação tem que ser a de Jesus”. (Carta ao Núncio Albergati).
Quando Mary Ward recebe a inspiração “Toma o mesmo da Companhia”, está implícito que quer o nome de Jesus para o seu Instituto, a identificação com Ele e sua missão. Jesus é a primeira e última palavra de Mary Ward, é o que dá sentido à sua vida e missão, repleta de lutas e sofrimentos. A pessoa de Jesus e a sua causa são o objetivo de sua vida. Para ela, vale a pena lutar por Ele, que é o máximo dom do Pai.
Mary Ward destacou-se por sua fé inabalável e seu amor profundo a Jesus Cristo, a ponto de fazer de sua vida uma eterna busca da vontade de Deus tendo Jesus Cristo como Caminho, Verdade e Vida. Em vista disso, na Congregação Geral de 2002, em que se reuniram membros representantes do Instituto universal,optou-se pela mudança do nome de Instituto Beatíssima Virgem Maria para “CONGREGAÇÃO DE JESUS”, como forma de fidelidade a Mary Ward e para realizar o sonho que ela nunca conseguiu em vida. Em 1 de abril de 2004, foi aprovado pela Congregação dos Institutos de Vida Consagrada e Sociedade de Vida Apostólica, no Tribunal Eclesiástico do Vaticano, em Roma. O nome “CONGREGAÇÃO DE JESUS”passara a identificar a Sede do Instituto Universal em Roma e as Sedes Provinciais dos diferentes países. A identificação dos Colégios não sofrera nenhuma alteração.
Assim, estaremos sempre mais próximos do sonho de Mary Ward que, ao longo de sua vida, sempre nos mostrou que a perseverança, a ousadia e a coragem fazem parte de nossa missão e só as obteremos suficientemente se vivermos unidos ao nosso Deus, fonte de graça e de vida.

“Seja qual for a maneira como vão as coisas,
conservemos alta a esperança,
e vivamos da graça de Deus”.
Mary Ward


A Congregação de Jesus está empenhada na
Beatificação de sua fundadora, Mary Ward

Oração para pedir a beatificação de Mary Ward:

Deus, doador de todo o bem,
te damos graças,
por teres dado Mary Ward
à Igreja e a toda humanidade.
Movida pelo fogo do teu amor,
não voltou atrás diante do risco,
do cansaço e da dor.
Viveu e trabalhou para Tua maior glória
e para o bem da Igreja,
para a propagação da fé,
e pela dignidade da mulher.
foi consolo para os pobres.
Te pedimos,
que através do reconhecimento oficial
da Igreja,
seu exemplo de vida
seja luz para muitas pessoas.
Por nosso Senhor,
Amigo e Mestre Cristo Jesus.
Amém!

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Colégio Mary Ward - Rua Gonçalo Nunes, 310/366 - CEP 03407-000 - Tatuapé - SP/SP
Tel. (11) 2090-1656 - Fax. (11) 2093-0466 - E-mail: cmw@colegiomaryward.com.br